Método Suzuki de flauta doce

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08/15

O Método

O método utilizado para um determinado trabalho é a linha condutora desse trabalho. É o raciocínio, a forma de proceder, um determinado percurso para alcançar um objetivo. Assim é o método Suzuki de flauta doce.

No caso do método Suzuki, o raciocínio é ensinar o aluno a tocar flauta doce da mesma maneira com que aprendemos a falar a nossa língua-materna. No método da língua-materna, um dos pontos principais dessa aplicação é o vocabulário aprendido passo a passo (repertório).

Os livros do método Suzuki são coletâneas de repertório, pensado progressivamente. Ou seja, apenas uma parte do trabalho. Para saber exatamente como o repertório deve ser aplicado e quais os resultados alcançados, é necessário que o professor faça cursos de capacitação no método, pois nos livros não há informação de como proceder neste caso. Esses cursos são regulamentados por Associações Internacionais Suzuki em todo o mundo.

A Filosofia

A Filosofia Suzuki parte do princípio de que TODOS PODEM APRENDER. Que o TALENTO não é um acaso do nascimento (conceito de educação do talento). Sendo assim, todos podem aprender a tocar flauta doce, cada um ao seu tempo, mas todos dominarão o vocabulário comum do universo da flauta doce.

Desta maneira o repertório e a sua aplicação foram pensados para que o aluno tenha êxito em todas as etapas e, de maneira natural, aprenda a tocar o instrumento percebendo em todas as etapas o seu próprio progresso, fator fundamental para a motivação do estudo do instrumento.

O método Suzuki de flauta doce

Abaixo você encontrará aspectos específicos do método Suzuki de flauta doce, contudo a lista não está em ordem de prioridade.

  1. Os alunos têm contato com o universo e literatura do instrumento desde muito cedo (repertório, instrumentos, história, afinação, etc.).
  2. O som é muito importante: a produção do som no instrumento (timbre, articulação, afinação, entonação e refinamento), com qualidade, é focada desde a primeira aula (conceito de tonalização).
  3. Não existe hierarquia para aprender a tocar flauta doce. Não aprendemos primeiro a flauta soprano, ou depois a contralto. O único fator a ser respeitado é o corpo humano.
  4. No caso de crianças pequenas: É preciso ter fluência no instrumento para depois aprender a ler e a escrever música (da mesma maneira que aprendemos a falar e depois a ler e escrever).
  5. Pelo motivo acima, as crianças desenvolvem memória auditiva indispensável para os que desejam tocar flauta doce e saber sobre temperamentos e diferentes tipos de afinação.
  6. Uso de diversos tipos de articulação desde muito cedo.
  7. Exemplo musical rico e de excelente qualidade como referência de todo o repertório a ser estudado: os CDs foram gravados pela flautista holandesa Marion Verbruggen acompanhados de cravo e viola da gamba como contínuo.
  8. A coletânea de repertório inicia com posição fechada: soprano ré grave e contralto sol grave. São diversos os fatores dessa escolha:
    1. para que o aluno desenvolva uma excelente postura com os dois pontos de apoio do instrumento (fator primordial para a boa produção do som).
    2. para que o limite do uso do ar para a produção do som seja mais objetivo. Se o aluno sopra demais em notas graves, fica impossível ouvir a nota afinada. Se o aluno faz o contrário, também. Basta comparar com a produção do som de uma posição aberta, por exemplo a nota si na flauta soprano (como a maioria dos métodos utilizados iniciam). Normalmente o aluno não tem referência da quantidade de ar para produzir essa nota. E quando o aluno sopra de qualquer jeito e sai o som, ele acha que está fazendo a nota correta, pois sempre associa a nota ao dedilhado e não ao som. O que não é correto, pois estamos falando de música, ou seja, de som. No método Suzuki trabalhamos o tempo todo para que os alunos associem as informações ao som e não aos aspectos visuais sempre.
    3. com uma boa produção de som com notas graves, os alunos terão bom som e afinação em notas agudas.
    4. o início com posição fechada propicia um aprendizado progressivo em relação a coordenação motora fina, ou seja, trabalhamos um dedo de cada vez. Tocamos (no caso da contralto) a nota sol e depois a nota si natural graves, assim teremos de coordenar o movimento do dedo 4 apenas. (indicador da mão direita). Por consequência, a técnica de dedos é beneficiada com boa postura e movimentos pequenos que propiciam maior agilidade.

Estrutura do curso

Curso Básico:

Livro 1 flauta doce soprano

Livro 2 flauta doce soprano

Livro 3 flauta doce soprano

Livro 4 flauta doce soprano

Livro 1 flauta doce contralto

Livro 2 flauta doce contralto

Curso intermediário:

Livro 3 flauta doce contralto

Livro 4 flauta doce contralto

Curso avançado:

Livro 5 com repertório para flauta doce soprano e para flauta doce contralto

Livro 6 com repertório para flauta doce soprano e para flauta doce contralto

Livro 7 com repertório para flauta doce soprano e para flauta doce contralto

Livro 8 com repertório para flauta doce soprano e para flauta doce contralto

Os livros de repertório e CDs são facilmente encontrados em lojas especializadas ou livrarias. Contudo para saber da aplicação do método é necessário e indispensável fazer cursos de capacitação. A Suzuki Association of the Americas mantém um programa bem organizado de formação de professores no Método Suzuki. Esses cursos são oferecidos inclusive no Brasil.

Outra maneira de conseguir informações é acessando sites brasileiros como o site do Centro Suzuki de São Paulo. Ou ainda, uma maneira de iniciativa particular, é se cadastrar na lista de professores/interessados pelo método Suzuki Brasil.

O método Suzuki é apenas para crianças? Não. O método Suzuki de flauta doce é uma maneira natural de aprendizagem que é adequada tanto para crianças muito pequenas, a partir de 3 anos, quanto para jovens e adultos.

A participação do pais, quando alunos criança, é super importante. Os pais auxiliam o professor com o estudo em casa. Os pais motivam os alunos no pós-aula. Encorajam as crianças a tocar. Participam da vida musical de seus filhos dando sentido ao fazer música.

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Sobre o meu trabalho com o método Suzuki de flauta doce

Eu não fui uma aluna Suzuki. O que fez com que muitas características da aprendizagem Suzuki e seus resultados passassem a alcançar um status de ‘objeto de desejo pessoal-profissional’.

Como os alunos suzuki estudam, como esses resolvem problemas técnicos com tanta simplicidade e naturalidade, a habilidade de tocar de memória, a habilidade de fazer música e a versatilidade musical, são características latentes de um aluno que passou algum tempo estudando um instrumento de uma maneira muito natural de aprendizagem.

Foi inevitável a minha comparação. O que eu conseguia fazer com a mesma idade que meus alunos tinham no começo do trabalho, com o mesmo tempo de estudo, simplesmente ainda não era música. Fui percebendo que isso não tinha nenhuma relação direta com os professores com os quais estudei, com a formação deles, mas sim com a maneira com que o instrumento era ensinado, com o método de ensino.

Esses motivos foram definitivos para a minha escolha profissional no ambiente educacional.

O aspecto social do método da língua-materna também é um fator importante. Quando as crianças iniciam o estudo do instrumento muito cedo, os pais são orientados a estudar com seus filhos em casa. Isso não se restringe ao saber “o que tem que fazer”, mas sim em “como fazer”. Além disso, nas aulas individuais e em grupo, a participação dos pais é requisitada, assim temos uma experiência coletiva em amplitude do que é o aprendizado musical. Enfim, formamos uma grande comunidade e, nós professores Suzuki, estendemos isso também aos professores, colegas de profissão. Desta maneira, o aspecto social se torna primordial para formação integral de todos os envolvidos.

Nesses 17 anos de trabalho, já mudei de estado três vezes, e sempre tive alunos Suzuki nas diferentes cidades que residi. Esse aspecto social faz com que eu mantenha contato com muitas famílias até hoje, e assim, acompanhe o desenvolvimento de ex-alunos.

Um ponto importante da minha experiência com o método Suzuki é a formação continuada de professores que sempre foi oferecida por Shinichi Suzuki aos que queriam conhecer o método da língua-materna e da educação do talento e que as associações internacionais mantém até hoje. No curso de bacharelado em instrumento não aprendemos como ensinar, e vejo pelos colegas de profissão, que o curso de licenciatura para muitos não satisfazem as necessidades da realidade do professor de música.

Desta maneira, os cursos de capacitação de professores Suzuki me deram uma oportunidade de pensar e compreender o “como fazer”, e o “como ensinar”. Digo isso porque, durante muitos cursos que fiz como professora Suzuki tive a resposta para a resolução de meus próprios problemas técnicos. Melhorei minha prática como flautista aplicando em mim mesma as sugestões oferecidas pelos cursos.

Como performer revi muitos conceitos da minha prática solista e de música de câmara. Alguns fatores apresentados pela prática Suzuki são primordiais para mim para os trabalhos que desenvolvo nos palcos atualmente.

Depois de tudo, o processo para me tornar SAA Recorder teacher trainer ou professora capacitadora do método Suzuki de flauta doce me revelou uma nova oportunidade de avaliar meus processos e resultados como professora Suzuki. Um longo processo comprovado com horas de estudo, horas de aulas ministradas, alunos formados, alunos em processo de formação, exemplos de aulas e resultados objetivos da arte de ensinar um instrumento musical musicalmente.

– Renata Pereira

7 Comentários para "Método Suzuki de flauta doce"

  1. Nossa!
    Eu já conhecia o Método Suzuki, mas por meio dese texto pude compreender um pouco mais a respeito de sua importância para o ensino da flauta doce.
    Meus parabéns pela excelente abordagem técnica no texto e pela elucidação do mesmo.

  2. Sou professor de flauta doce, e gostaria de ter a coletânea dos métodos Suzuki. Estou em busca de métodos inovadores para a iniciação e educação musical.

    • Olá André
      Você consegue os livros do método Suzuki em lojas como a Livraria Cultura, Musimed, Amazon, Sheet Music Plus e outras, ou entre em contato com o Centro Suzuki de Educação Musical em São Paulo.
      Vale reforçar que para usar o método com todas as suas vantagens e resultados não basta ter os livros, pois estes apenas contemplam o repertório base. A grande diferença está na maneira de trabalhar o repertório, que é abordada nos cursos de capacitação para professores.

  3. Olá, parabéns pelo artigo, gostaria de saber se conhecem algum curso online de flauta doce que utilize a metodologia citada na postagem? Obrigado.

    • Bom dia, João Paulo
      A metodologia suzuki pressupõe o contato pessoal entre professor e aluno (e também dos pais, no caso de crianças e adolescentes), pois ao mesmo tempo que se desenvolvem as habilidades musicais do aluno, a formação do caráter também é um fator importante do processo de aprendizagem.
      Para adultos, oferecemos curso de flauta por Skype, para aqueles que moram em cidades onde não existem professores capacitados. Para saber mais, entre em contato por email quintaessentia@quintaessentia.com.br.

  4. Pingback: Ensino coletivo de flauta doce na educação básica - Revista Brasileira de Educação Básica

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