Projeto Identidade

 

Chamada permanente para compositores/arranjadores

A literatura dos instrumentos musicais foi acrescida através do incentivo proporcionado por parcerias entre intérpretes e compositores. Por volta da década de 1940, a flauta doce, um instrumento musical extremamente antigo, assumiu novamente o seu papel artístico e, mais tarde, o seu papel na educação musical.

Na década de 20, Arnold Dolmetsch (1858-1940) iniciou a construção de flautas doces no Reino Unido. Mais tarde, em 1926 na Alemanha, suas flautas foram tocadas iniciando assim um forte movimento do instrumento naquele país. Por volta dos anos 30, ainda na Alemanha, a flauta doce foi se estabelecendo como instrumento para crianças e, em 1932, Hindemith (1895-1963) escreve seu trio para flautas doces.

Todos os filhos de Dolmetsch tocavam instrumentos musicais porém, Carl Dolmetsch (1911-1997), seu filho caçula, era um virtuose da flauta doce. Pouco tempo depois muitos compositores escreveram para Carl dentre os quais estão Arnold Cooke (1906-2005), Georges Migot (1891-1976) e Hans Gal (1890-1987). Foi através desta iniciativa que hoje podemos contar com obras importantes de diferentes linguagens e de grande valor técnico e musical para a flauta doce.

O mesmo ocorreu na década de 1960 na Holanda, com compositores europeus e japoneses escrevendo música para o grande intérprete da flauta doce no momento: Frans Brüggen (1934-2014).

No Brasil, na década de 1970, com os concursos de flauta doce do Conservatório do Brooklin em São Paulo, muitos compositores também se dispuseram a escrever, e hoje, deste movimento nos restam obras de grande importância para a literatura brasileira da flauta doce. Como quarteto, os flautistas do Quinta Essentia contribuem para que esses movimentos composicionais não terminem. Por este motivo criamos o Projeto Identidade.

Na busca pelo repertório para quarteto de flautas doces surgiu a vontade de interpretar peças inéditas e arranjos e divulgá-las para que se tornem acessíveis a todos que desenvolvem trabalhos com a flauta doce. Ampliando as possibilidades de repertório, o Projeto Identidade é uma contribuição do Quinta Essentia para com a flauta doce e a sua literatura.

O projeto IDENTIDADE é uma parceria.

O Quinta Essentia coloca-se à disposição de compositores que queiram escrever para flauta doce e para a formação quarteto desse instrumento, comprometendo-se a participar do processo de composição auxiliando na busca da resolução de aspectos técnicos do instrumento e principalmente na divulgação da obra em concertos e em futuros registros fonográficos.

Infelizmente nem todas as obras enviadas serão apresentadas em concertos ou registradas em CD, pois essas escolhas dependem das propostas artísticas do grupo. Contudo, temos um projeto de disponibilizar essas músicas de maneira gratuita através do nosso site para divulgar o trabalho desses compositores e também esse repertório. Essa elaboração acontecerá em breve para a ocasião da comemoração dos 10 anos do grupo (2016), mas dependemos de patrocínio.

Em 2007 iniciamos este projeto recebendo obras e contatos de vários compositores interessados, o que possibilitou a estreia de algumas peças no Concurso Nacional Jovens Cameristas Petrobrás em Londrina no Paraná e registro fonográfico em nossos CDs.

Compositores e arranjadores que estão colaborando com o Quinta Essentia desde 2007:

  • Alfredo Votta com as composições “Per noctes” e “Veni Creator Spiritus”
  • André Vidal com a composição “Ad Libitum”
  • Antonio Celso Ribeiro com a composição “Le Jeu du Roi qui Jamais ne Ment” – apresentada no concurso Petrobrás (2007)
  • Calimerio Soares (1944-2011) com a composição “Prá lá, Prá cá!”
  • Cláudio Menandro com o arranjo “Descascando Uva” – CD La Marca (2008)
  • Daniel Wolff com a composição “Flautata Doce” – abertura do site (2015)
  • Eduardo Escalante com a composição “Quatro Peças para Flautas doces” – CD Falando Brasileiro (2014)
  • Fábio dos Santos com o arranjo da “1ª suite infantil” de Guerra-Peixe – CD Falando Brasileiro (2014)
  • Fernando Mattos com a composição “Aos Quatro Ventos”
  • Julio Bellodi com a composição “Sonho Novo” – CD La Marca (2008)
  • Leonardo Aldrovandi com a composição “Itaquera”
  • Marcel de Carvalho com as composições “Primeiro amor” e “Penta”
  • Paul Leenhouts com o arranjo de “Desafinado” de Tom Jobim – CD Falando Brasileiro (2014)
  • Rafael dos Santos com o arranjo de “Choro pro Zé” do Guinga – CD Falando Brasileiro (2014)
  • Sérgio “Torquato” Leal com a composição “A ninfa perdida na metrópole”

 

Sobre o instrumentarium disponível

 

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O Quinta Essentia Quarteto utiliza instrumentos antigos e modernos, e cada um dos instrumentos possui características próprias de timbre, tessitura, e técnica. Para conhecer quais instrumentos são usados pelo grupo, acesse nossa página do Instrumentarium.

A flauta doce encanta o público e os artistas pela sua simplicidade, e ao mesmo tempo, exige dos músicos uma grande flexibilidade na expressão musical, e demanda dos flautistas profissionais uma grande quantidade de instrumentos ao apresentar repertórios variados.

Dentre todos os instrumentos, talvez a flauta doce seja o instrumento que permite a maior variação de articulação, pois literalmente falamos ao tocar, fazendo da articulação a maior característica da flauta doce. Desde a ausência da  articulação até um ataque explosivo, o músico mostra sua criatividade musical com a mistura da técnica do ar com o movimento da língua ao tocar, parte esta que é geralmente subestimada por àqueles que desconhecem a flauta doce. Os dedos acabam sendo a parte mais simples e visual na técnica do instrumento.

A flauta doce não é um instrumento temperado, pois podemos mudar a afinação durante a performance de várias maneiras: pela pressão do ar, por dedilhados alternativos ou mesmo por alterações no instrumento. Fato este que permite que a flauta doce toque em diversos temperamentos diferentes, desde o temperamento igual ou temperado da música moderna, usando microtons, e até a chamada Afinação Justa ou Pura, variando a afinação das notas conforme sua função na harmonia e em cada acorde.

Além da técnica básica, a flauta doce permite diversos efeitos e técnicas usadas na música contemporânea, das quais cito alguns:

  • Frulato – feito vibrando a língua ou garganta ao soprar
  • Ruído branco – soprar na janela ou em um furo, produzindo som sem altura definida
  • Glissando
  • Vibrato de dedo
  • Micro-intervalos
  • Multifônicos – dedilhados especiais que produzem dois ou mais sons simultâneos com uma espécie de oscilação
  • Humming – cantar enquanto toca

Flautas barrocas

As flautas barrocas são as flautas doces mais conhecidas e utilizadas. Todas elas possuem tessituras de pelo menos duas oitavas e uma segunda maior, e os instrumentos geralmente são afinados em Dó ou Fá (ver tabela de tessituras acima), porém não exclusivamente nestas notas. A penúltima nota da extensão na região aguda (Dó# nas flautas em dó e Fá# nas flautas em fá) é obtida tampando o orifício inferior do instrumento com a perna, e por isso não pode ser alcançada em passagens muito virtuosísticas. Além disso, alguns instrumentos permitem notas mais agudas que as descritas na tabela em uma segunda ou terça, porém geralmente o som será gritado e em alguns casos, ligeiramente desafinado.

Flautas modernas

As flautas modernas foram desenvolvidas por alguns luthiers buscando a melhoria de alguma característica, tais como timbre, tessitura ou dinâmica. Em nosso blog, você encontrará um artigo que explica sobre toda A Família da Flauta Doce.

Ainda sobre a tessitura destes instrumentos, temos as flautas quadradas (baixo, grande-baixo, contrabaixo e sub-grandebaixo) com a mesma tessitura das barrocas, e as flautas harmônicas Eagle, Tarasov e Helder que possuem tessitura ampliada, porém as notas da 3.a oitava não permitem passagens muito virtuosísticas.

Flautas renascentistas

Estes instrumentos foram desenvolvidos para serem tocados apenas em grupos homogêneos e usados como um coro. A sua tessitura é menor que as flautas barrocas, tendo apenas uma oitava e uma sexta no total, embora alguns instrumentos específicos (geralmente os mais agudos) possam tocar notas além da sua tessitura normal com dedilhados especiais.

Estas flautas possuem tubo largo, a mesma característica que limita a sua extensão dá à ela um grande diferencial no timbre que é brilhante e agradável, geralmente considerada pelos flautistas em todo o mundo o modelo sonoro da flauta doce. Também por causa das suas dimensões internas, o seu dedilhado é mais complexo do que a flauta barroca, e a sua afinação é baseada em terças puras no temperamento Mezzotônico. Por esta característica, o melhor resultado sonoro se dá pela utilização da escala diatônica natural do instrumento, evitando assim os dedilhados de forquilha que produzem um som menos brilhante e velado.

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