19º Encontro de Flauta Doce em Ituiutaba/MG

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Encontro de flauta doce em Ituiutaba

Nos dias 10 e 11 de Novembro de 2014, o Quinta Essentia esteve em Ituiutaba/MG, como convidado do 19º Encontro de Flauta Doce do Conservatório Estadual de Música Dr. José Zóccoli de Andrade. Foi um grande prazer estar entre um incontável número de flautistas de todas as idades, contando também com a presença de flautistas de outras cidades que vieram prestigiar o evento.

Mas não foi sem nenhum esforço para que tudo corresse bem. Tudo começou um dia antes, quando pensamos que o vôo São Paulo/Uberlândia partiria pelo aeroporto de Congonhas, e descobrimos em cima da hora que partiria de Guarulhos. Este deveria ser um sinal, para ficarmos atentos para tudo o que viria em seguida.

Dia 10 de Novembro, 6h30, todos prontos para partir rumo ao aeroporto de Guarulhos. Checando os instrumentos para o concerto, as bagagens, e vambora! Um pouco de trânsito no caminho, mas foi tudo bem. Conforme estava escrito em nosso bilhete eletrônico, nosso vôo partiria de Guarulhos, pela TAM, às 9h15, sendo o check-in às 8h15. Chegamos no terminal 2 do aeroporto às 7h55, na área de embarque da TAM, com tempo de fazer tudo com calma…

Logo ao chegar no aeroporto, mais um sinal do que viria em seguida: uma mulher com seu carrinho de malas simplesmente “atropela” a Renata, batendo com o carrinho no seu calcanhar, e diz em seguida “Bateu no tendão dela!” e nem pediu desculpas ou parou para ver se havia se machucado, um típico exemplo da “boa” educação moderna. Nos dirigimos ao quiosque para fazer o check-in, e ao colocar o localizador da passagem era exibida a mensagem: “Check-in não permitido” ou algo semelhante. Fomos nos informar no guichê, e nos informaram que este vôo era operado pela companhia Passaredo, e que o embarque deveria ser feito no terminal 4, e para isso deveríamos pegar o ônibus do aeroporto para fazer o translado entre os terminais, isto levaria pelo menos 15 minutos. E lá fomos nós, com todas as bagagens, instrumentos grandes e pequenos porém todos delicados, e com muita boa vontade.

Chegamos no terminal 4 por volta das 8h20, tentamos o check-in e outra mensagem de erro. Nos dirigimos ao guichê, e fomos informados que o vôo JJ 370, que seria da TAM era agora da Passaredo, e havia sido transferido para as 8h15, por isso havíamos perdido o vôo! Seria bom se tudo acabasse por aqui…

Neste momento, começamos a saga para conseguir resolver as coisas. Um liga para o conservatório para avisar que nosso vôo havia sido mudado e não fomos avisados, para que o conservatório pudesse ligar para a agência que vendeu as passagens. Outro vai no guichê de vendas da Passaredo para tentar trocar o vôo para o próximo horário. Mas a Passaredo se recusou a trocar os vôos, e nos informou que isso deveria ser feito pela TAM (vai entender!), lá no terminal 2. A funcionária Ursula nos deu o número do ramal dela, e pediu para ligar, caso a TAM se recusasse a trocar os bilhetes.

Novamente, pegamos o ônibus para voltar ao terminal 2, carregando malas, instrumentos e tudo o mais, e até fizemos uma aposta se iríamos chegar a tempo ou não para o concerto. Chegamos no terminal 2, e fomos direto para a loja da TAM fazer a troca das passagens, e depois de quase 1 hora na fila, conseguimos trocar os bilhetes. Durante a espera, trocamos várias ligações com a agência de turismo Aidatour, que havia vendido os bilhetes. E o relógio marcava 10h00 quando conseguimos trocar os bilhetes.

O novo vôo partiria do aeroporto de Congonhas, às 13h30. A TAM nos informou que haveria um ônibus gratuito partindo às 10h40 para Congonhas – prevendo cerca de 2 horas de translado, chegaríamos às 12h40 – tempo suficiente para embarcar. Como ainda eram 10h00, fomos tomar um café e comer algo, pois sabíamos que não teríamos tempo de almoçar.

Depois de comer, chegamos para esperar o ônibus às 10h20, e vimos um ônibus indo embora, não deu tempo de pegar, mas havia uma fila, pois provavelmente este ônibus estava lotado. Esperamos até 10h45, nenhum ônibus chegou, e todos na fila diziam que o próximo ônibus deveria chegar somente às 11h40, e assim, não daria tempo de pegar o vôo em Congonhas.

E lá vamos nós novamente para o guichê da TAM, com intenção de pegar um voucher para um táxi, que nos levasse em tempo para Congonhas. Havíamos sido informados pela agência Aidatour que isso era possível, mas a TAM se recusou a liberar o voucher, e pediu para irmos no guichê da Passaredo que eles iriam emitir o voucher (parece piada…), e lá fomos nós novamente, pegar o transporte para o terminal 4…

Chegando lá, nada feito (que novidade!), a Passaredo não podia emitir voucher de táxi e isso deveria ser feito pela TAM (mas que belo atendimento ao cliente!). Enquanto discutíamos com a atendente da Passaredo, esperando pela gerente da área, a agência Aidatour liga novamente para nós para saber se conseguiríamos embarcar. Era cômico se não fosse trágico! 11h10 ainda em Guarulhos, tendo que fazer o check-in em Congonhas antes das 12h30, sem almoço, com concerto marcado no mesmo dia à noite, em Ituiutaba.

Depois de muita discussão, todos os clientes do terminal 4 sabendo o que acontecia conosco (afinal a discussão foi acalorada!), a agência me disse que iria reembolsar nossos gastos com comida e táxi. Foi aí que saímos, pegamos um táxi para Congonhas, e o motorista nos informou que levaria cerca de 1 hora para chegar.

Chegamos em Congonhas, fomos direto ao check-in. Colocamos o localizador da passagem e… LISTA DE ESPERA apareceu no visor. Aquilo não poderia ser verdade! Teríamos que trocar de vôo ou cancelar a passagem?

Novamente no guichê da TAM, em Congonhas, e a funcionária resolveu a situação nos alocando no vôo das 13h30 para Uberlândia. Eram 12h45, haviam alguns minutos para tomar um lanche antes de partir. Mas almoçar era impossível em tão pouco tempo.

Por um momento, acalmamos, por outro, ainda desconfiávamos se nada mais iria acontecer naquela viagem. Entramos no ônibus que nos levaria até o avião e… após alguns momentos de espera, quase chegando… estoura o pneu do ônibus! Ainda bem que era dentro do aeroporto, logo ao lado do avião. Todos descem do ônibus e embarcam.

Chegando no avião, uma grata surpresa: após tantos desentendimentos, nos alocaram nos assentos da saída de emergência, com espaço extra para as pernas. Para mim (Gustavo), isso é a glória!, pois sempre sofro ao viajar nos assentos apertados projetados para quem tem menos de 1,5 m de altura.

Chegamos em Uberlândia às 14h50, já havia alguém nos esperando para nos levar até Ituiutaba. Viagem de 1h30 até lá. Colocamos tudo na pick-up, subimos e partimos… “Motorista, espere um pouco! Você esqueceu do Felipe!” Ele havia ido levar o carrinho das bagagens e o motorista iria deixá-lo para trás, mas ele chegou e fomos todos juntos para Ituiutaba. UFA!

 As flautas em Ituiutaba

Chegando lá, fomos muito bem-recebidos, havia um lanche esperando por nós, e a narração de toda a história para os outros professores nos rendeu muitas risadas e bons momentos. Ainda tivemos alguns minutos de descanso, antes de começar a preparação para o concerto, às 19:30 da noite.

O concerto começou, tudo correu como esperado. Ou quase tudo. A partir daqui, conto como foi a minha experiência. Enquanto eu tocava, via e ouvia pessoas em cima do palco ou nos camarins do teatro, como se carregassem coisas e se movimentassem por trás do grupo, em cima do palco; via as cortinas do palco balançarem com pessoas passando por elas. Eu estava muito concentrado no concerto, na música, e não cheguei a olhar para trás, pensando que a pessoa (ou pessoas) que estava ali era um funcionário do teatro ou do conservatório. E o concerto com a integral da “A Arte da Fuga” de J. S. Bach foi até o final, repertório com gosto de novidade para o público, pois a maioria nunca havia ouvido esta obra grandiosa.

Logo após o concerto, fomos jantar todos juntos, os professores do conservatório, nós do Quinta, e outros convidados e amigos. Foi então que comentei sobre o que tinha visto durante o concerto, sobre a movimentação no palco, e imediatamente a Fernanda disse: “Eu também senti isso! Mas olhei para trás o tempo todo e não havia ninguém!”, Renata também percebeu o mesmo que eu, e Felipe apenas de uma forma mais sutil, e assim alguns professores do conservatório nos disseram que não havia nada no palco, que ninguém viu ou ouviu nada, e que não havia ninguém no palco ou nos camarins. No mínimo estranho… Então, uma professora que já trabalha lá há 20 anos nos contou algumas histórias parecidas que aconteceram naquele teatro, onde outras pessoas perceberam barulhos e movimentações estranhas.

Acredite ou não, ficamos sabendo no dia seguinte que naquela noite, a pessoa que tinha que ligar o alarme e desligar as luzes do teatro não conseguia acionar o sistema. O sistema desarmava sozinho alguns segundos após ser acionado, sem causa aparente.

Acordamos na terça-feira bem cedo, pois haveria um concerto didático às 8:30, aberto a todos os alunos do conservatório. Tudo aconteceu na santa paz, e seguido ao concerto, oficinas para os alunos ministradas pelos membros do grupo.

À tarde, a Renata fez uma palestra aos professores do conservatório sobre o Método Suzuki, também conhecido como Método da Língua Materna, onde ensinamos música da  forma mais natural possível: sendo a música uma linguagem, a música é ensinada seguindo os passos do aprendizado da língua materna, assim como uma criança aprende a falar; com reforços positivos e o envolvimento da família durante o aprendizado. Os professores ficaram muito interessados em saber mais e realizar os cursos de capacitação dessa metodologia.

E logo após a palestra e todas as perguntas decorrentes que se seguiram, voltamos para casa. Mas desta vez, sem nenhuma surpresa!

Agradecemos a todos professores que tornaram possível a nossa viagem para Ituiutaba, à direção do conservatório, e em especial à professora Patrícia Franco que já está em contato conosco há vários anos para tornar isso possível. Foi ela quem nos fez o convite e organizou nossa viagem, e agradecemos também a todos os alunos de flauta doce do conservatório que participaram das oficinas e dos concertos, afinal, sem os alunos, nenhum encontro de flauta doce seria sequer possível.

E que venham as próximas turnês!

Ah! gostaríamos de pedir desculpas a uma pessoa muito gentil que encontramos no primeiro ônibus que pegamos para o primeiro de muitos translados que fizemos entre os terminais do aeroporto de Cumbica. Um homem, que tentou nos dizer que nos conhecia, que tinha os dois Cds que gravamos e que admirava o nosso trabalho, e que na correria só conseguimos dizer com um sorriso: Muito Obrigado!

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2 Comentários para "19º Encontro de Flauta Doce em Ituiutaba/MG"

  1. Toda essa confusão da viagem, serviu como teste para que vocês vejam como é importante a calma e a perseverança. No final, deu tudo certo!!! Vocês são demais! Sucesso a todos!

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